segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sociologia - Auguste Comte

Por:  Felipe Becari Comenale


Comte é o pai do positivismo, criou a filosofia positiva. Pode ser considerado também como um fundador da sociologia. Acreditava em uma sociologia poderosa, nada modesta, que ditaria o padrão da sociedade a fim de estabelecer a reorganização social.
Derrubou a Igreja em seus estudos, disse que a religião é uma ciência. Aliás, após criar o positivismo, nomeou-o de religião, dizendo que, portanto, foi o criador de uma religião. Essa religião Comte chamou de Religião Humanidade, ou religião da Unidade Humana, indo contra as crenças e valorizando as ações humanas na constituição da história.
Segundo ele, a transição pós era medieval (influenciada pela Revolução Francesa) transformou a sociedade assim: sacerdotes e militares dão lugar a cientistas e industriais (estes no sentido amplo; banqueiros, diretores de fábricas). E por que? Porque diz que quando o homem evolui, ele produz e inova, não precisa mais de militares para conter a guerra entre os próprios homens, a guerra agora é contra a natureza, por exemplo, no extrativismo, na produção. Como complemento, cabe dizer que Comte defendia a paz, repugnava a violência, por esta ser, de certa forma, retrata da desordem. Complementando, diz que o instinto militar favorece a guerra, e o instinto industrial favorece a criação de meios, portanto, apontando para evolução da sociedade, fato inegável e certo.

Assim criou o positivismo: chega de tanto buscar a deuses e explicações do além para os fatos cotidianos e a história das coisas. É preciso analisar o real, um fato real, objetivo, para entender nossa existência e o porquê de nossas ações. Nessa concepção, o homem é que faz sua história, basta pensar que somos uma sociedade dominada pelos mortos, já que os que aqui vivem sempre seguem idéias dos que já passaram. O positivismo nega que todas as explicações das coisas e do mundo venham de um lugar único, principalmente inalcançável aos homens. Para Comte, a prova do valor do pensamento positivista em relação ao mundo social pode ter como referencial o sucesso de outras ciências (matemática, astronômica, física, química e biológica), onde são analisados os objetos a alcance e manipulação do homem. Ou seja, vive-se a realidade! Constitui-se a realidade!
Em suma, o método positivista caracteriza-se pela observação e análise dos fatos sociais, este é o caminho para o entendimento da sociedade, para o estabelecimento da ORDEM e assim, rumo ao PROGRESSO.

Constituindo este pensamento positivista, Comte criou sua principal marca, onde diz que impreterivelmente, toda sociedade passa pela “LEI DOS TRÊS ESTADOS”, onde:
1) teológico: deuses, tudo é sagrado, muita religião, sacerdotes dotados de extremo poder. O homem se baseia neste mundo “irreal” para responder a perguntas como: “quem sou eu?”, “da onde vim”?
2) metafísico: continua sendo coisa abstrata, mas um pouco mais 'real', já pensamos em Natureza, Capital, Estado... A busca pelas perguntas anteriores ainda continuam...
3) positivista: estudo das leis que ditam as relações, análise do real , do cotidiano, dos mistério da relação entre os homens, observação e compreensão do poder do homem no rumo da sociedade e da importância da sistematização deste pensamento para que possa adquirir-se a ordem entre eles.
Por fim, Comte diz ainda que para que o positivismo vigore e a sociedade evolua, todos devem ter pensamentos altruístas, não egoístas (mesmo pensamento de Durkheim). Diz também que a monarquia X iluminismo é o principal problema da sociedade, mas que a ciência deve prevalecer mais cedo ou mais tarde sobre a teologia.

Sociologia - Émile Durkheim

Por:  Felipe Becari Comenale


Durkheim focou todos seus estudos sobre a sociedade, os indivíduos que a comportam e quais atitudes e fatos realizados por estes constituem a própria sociedade.

De partida, o autor “divide” a sociedade em dois tipos, guiadas por dois tipos de solidariedade: mecânica e orgânica.

Por solidariedade mecânica, entende-se por uma solidariedade, isto é, uma “compaixão” e combinação das atitudes por meio da semelhança. Os indivíduos da sociedade guiada pela solidariedade mecânica têm os mesmos gostos, sentimentos, valores e reconhecem como sagrados os mesmos objetos. É associada às populações antigas e arcaicas, onde Durkheim acredita que a sociedade vem sempre à frente do indivíduo. Sociedade em primeiro lugar. Dentro da sociedade “mecânica” as condutas são guiadas pela coletividade e consenso do pensamento. Talvez por isso, com todos pensando da mesma forma e buscando um único ideal coletivo, qualquer desvio de conduta seja considerado um crime, desaforo e ameaça à coletividade. Quando isso acontece, é praticado o Direito Repressivo, ou seja, a repressão, punição e instauração da disciplina rígida àquele que cometeu a infração. Durkheim ainda diz que mesmo tratando-se de uma sociedade em prol de um único objetivo, ou únicos, mas iguais para todos, ela pode ser diferente de outras sociedades, o que caracteriza o pensamento por segmento (membros unidos, formando o coletivo, mas separado de outros coletivos). Nesta sociedade, os sentimentos comuns têm grande força, caracterizando a consciência coletiva.

Por solidariedade orgânica, a mais defendia e estudada por Durkheim, implica no contrário à mecânica, ou seja, gostos e objetivos, interesses e sentimentos individuais, onde cada indivíduo toma seu caminho próprio dentro da sociedade. Isto não é ruim, pois, como considera Durkheim fazendo uma analogia, é como se fossem todos os diferentes órgãos do corpo humano, trabalhando individualmente e diferentemente, mas todos essenciais para o funcionamento global do sistema. Sem um deles, a máquina quebra. Assim, surge a divisão do trabalho, diferenciação das profissões e emergência de novos grupos e instituições (diz que estas instituições mantém a ordem, são conservadoras por essência, quer seja de família, de escola, polícia, governo, etc.), que derrubam a sociedade mecânica. Em contrapartida ao Direito Repressivo, a solidariedade orgânica instaura o Direito Restitutivo, que ao invés de punir, procura restabelecer a ordem das coisas como devem ser, procurando evitar o caos e a anarquia da população. Durkheim defende tanto esta idéia de coletividade e evolução através da solidariedade orgânica, que se alguns apontam para os contratos entre indivíduos, dizendo que estes são puramente individuais, ele defendia dizendo que mesmo sendo individuais, os contratos respeitam regras, limites e princípios da sociedade, o que de fato colabora com a construção social e evolução. Durkheim só atenta para a preservação da consciência coletiva na sociedade orgânica, dizendo que com as divisões de trabalho, conflitos de moral poderiam aparecer devido a procuras da mesma tarefa, por um volume grande de indivíduos.
Durkheim argumenta também sobre o suicídio. Este poderia estar muito ligado à divisão do trabalho e à sociedade orgânica, pois, ao fazerem suas escolhas, os homens muitas vezes poderiam posteriormente sentir-se infelizes, descontentes com seus rumos, levando ao suicídio. Culpa as crises econômicas e as inadaptações de alguns trabalhadores quanto aos problemas com a coletividade e os suicídios subseqüentes.

Sobre o suicídio, pegando o gancho anterior, Durkheim dizia que este pode ser a partir de três concepções:

Egoísta = o indivíduo é frustrado ou descontente com suas atuações, condições e sentimentos, tirando sua própria vida, por um motivo que não influenciará positivamente na sociedade. Geralmente ligados à casamentos, religião, família, etc.

Altruísta = quando o suicídio é cometido por alguma causa maior, como um sacrifício por outra pessoa, ou uma paixão por bem que está sendo perdido ou destruído. Porém, sinaliza certa fraqueza ao se deixar levar por instintos, mesmo estes não sendo individuais.

Anômico = Caracterizado por aqueles ligados às crises econômicas e à ausência de normas ou fatos importantes. Em outras palavras, o sujeito perde dinheiro e se mata, ou então, não sai do lugar, se vê num beco sem saída, e se mata.

(ANOMIA = AUSÊNCIA OU DESINTEGRAÇÃO DAS NORMAS SOCIAIS. Confusão, anarquia, sensação de desordem)

Quanto à religião, ia contra COMTE, dizendo que ele precipitou-se ao dizer que criara uma nova religião, se sabia que religião é uma criação coletiva.
Ia contra COMTE também dizendo que COMTE vivia muito no mundo abstrato, ideológico, futuro. Durkheim diz se preocupar com o passado e presente, e diz também da necessidade de elevar a sociologia à categoria de ciência.

E O QUE, AFINAL, REGULA TODOS OS INDIVÍDUOS E A SOCIEDADE?

OS FATOS SOCIAIS!!! QUE PERMEIAM TODAS AS RELAÇÕES INDIVIDUAIS E TAMBÉM DOS INDIVÍDUOS COM A SOCIEDADE.

Durkheim diz que os FATOS SOCIAIS são o domínio da própria sociologia, são eles as bases de estudo e compreensão da sociedade.

“é fato social toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter”

ou ainda...

“é fato social toda maneira de agir ou de fazer coletivo, morfológico ou fisiológico, suscetível à coerção em território livre, exterior”

Por fim, todo fato social, segundo Durkheim, deve ser trado como “coisa”, já que não se conhece o exato porquê de respeitá-lo ou seguí-lo, mas mesmo sendo abstrato, ele existe e impõe a conduta entre os indivíduos. “É uma realidade observável da qual não conhecemos de fato sua natureza”. São fatos, por menores que sejam, que apresentam algum interesse da sociedade.

Então, de acordo com a definição de fato social, como identificá-lo?
PELA COERÇÃO QUE EXERCEM SOBRE OS INDIVÍDUOS, ISTO É, PELA IMPOSIÇÃO QUE OFERECE A ELES, seja da sociedade, sejam dos grupos e instituições conservadoras.

Sociologia - Max Weber

Por:  Felipe Becari Comenale


Max Weber acredita que a marca dos tempos modernos é a racionalização. Tudo é racional; a economia, o Estado... É TUDO UMA MARCA CAPITALISTA, O PREDOMÍNIO DO CAPITALISMO, UMA RACIONALIZAÇÃO QUE TENDE A DOMINAR A MORALIDADE INTRAMUNDANA. O grande objetivo é ser um profissional, e não querer ser, como queriam os puritanos. O Capitalismo requer isso!!

Partindo disto, foca seus estudos principalmente na AÇÃO dos indivíduos. De fato, sua maior preocupação e objetivo é compreender o sentido que cada autor dá à sua própria conduta, suas próprias ações.

Neste infinito jogo de ações, acredita que o homem é o centro, tem o poder de articular a evolução e escrever a história. Segundo Weber, ESTAMOS SEMPRE CRIANDO CULTURAS, MODIFICANDO O MUNDO.

“A premissa transcendental de qualquer ciência da cultura reside... na circunstância de sermos homens de cultura, dotados de capacidades e da vontade de assumirmos uma posição consciente em face do mundo e de lhe conferirmos um sentido” (Weber)

Assim, segue os pensamentos de Nietzsche, dizendo que o homem é o inventor de tudo, que não é dotado, mas sim adquiri cultura e sabedoria ao longo da vida. Weber estuda então os propósitos, os quereres, as vontades... (1º sociólogo a diferenciar ciências da natureza das ciências sociais)

Portanto, focando no principal estudo de Weber, as ações dos indivíduos, o autor estabeleceu quatro categorias, as quais:

1) AÇÃO RACIONAL COM RELAÇÃO A UM OBJETIVO/FIM: ao realizar a ação, o autor concebe claramente seu objetivo e combina os meios disponíveis para atingi-lo.
Exemplos: o engenheiro que constrói uma ponte, o jogador que chuta para fazer o gol, o general que traça estratégias para vencer a batalha, etc.

2) AÇÃO RACIONAL COM RELAÇÃO A UM VALOR: o autor age racionalmente, aceitando todos os riscos, não para obter um resultado objetivo, extrínseco, mas para permanecer fiel à sua idéia de honra. Não foca-se o resultado em si, mas sim aos valores momentâneos relacionados.
Exemplo: capitão que afunda junto com o navio por não querer abandoná-lo.

3) AÇÃO AFETIVA: é a ação ditada imediatamente pelo estado de consciência ou humor do sujeito. É a descarga inconsciente de um estado sentimental. Também não tem um objetivo como justificativa de realização.
Exemplos: bofetada que a mãe dará na criança, quando essa a desrespeitar, a briga no jogo de futebol depois de uma entrada violenta, etc.

4) AÇÃO TRADICIONAL: é a ação ditada pelos hábitos/costumes tradicionais, crenças, etc. Não precisa conceber um objetivo (também), nem um valor. O autor simplesmente obedece a uma rotina imposta por longa prática da sociedade.
Exemplos: Parar no sinal vermelho, escovar os dentes, cumprimentar as pessoas pela manhã, etc...

Por fim, Weber diz a máxima de que para todas as ciências, o conhecimento é uma conquista infinita, que nunca chegará a um fim, assim como a investigação dos atos e das relações sociais, etc... Pensando assim, ele vai contra os pensamentos de COMTE e DURKHEIM, que, segundo ele, sonhavam com sociedades organizadas e bem resolvidas, permeadas por leis sociais bem definidas.